O escritor José Mery, diz num dos seus livros, que o amor não se declara, demonstra-se. Não podia estar mais de acordo com ele.
Na verdade, protelamos abuso, sempre que decidimos acreditar mais em promessas e menos em factos.
Nesta roda relacional, onde numa relação, as nossas feridas são expostas das mais variadas formas, para que as possamos curar, tendemos a fugir da verdade, seja lá ela qual for.
Cada vez mais, impera a preciosa necessidade de estarmos mais conscientes de nós mesmos, dos nossos anseios, medos, inseguranças e acima de tudo honrar sempre a verdade, olhando para a realidade como esta se nos apresenta e não, escondermo-nos dela na esperança de nunca chocarmos de frente com ela.
A negação, responsável por muitas quedas, algumas delas mesmo fatais e a ânsia cega de encontrar um companheiro para a vida, faz-nos diminuir muitas vezes, a importância do que nos desagrada ou magoa profundamente.
Este padrão pode levar-nos a sustentar ilusões, porque acabamos por viver mais de promessas do que, de factos.
Mariana, nome fictício, uma mulher em fase de divórcio, enviou-me um email que dizia o seguinte:
Explorei todas, mas todas as possibilidades desta relação. Nada mais havia para explorar. Gastei as chances e gastei-me com elas, como a Cristina costuma dizer. O meu marido levou-me quase ao suicídio com tanta rebuscação, tanta frieza e tanta falta de amor por mim. Dizia uma coisa e fazia outra totalmente oposta. Andei anos a acreditar nas suas promessas. Um dia fartei-me e disse-lhe que me queria divorciar. Prometeu-me mundos e fundos, que ia ser diferente, que ia estar mais atento às necessidades da nossa relação, que ia encontrar tempo para uns programas a dois…enfim…sabe que mais? No dia seguinte tudo tinha voltado ao mesmo, e a estranheza maior é que parecia que quem tinha tido aquela conversa, tinha sido outra pessoa que não ele. Culpo-me, porque depois disto continuei a querer acreditar mais no que ele ia prometendo e menos naquilo que eu ia vendo acontecer no nosso dia a dia. Foi muito duro, muito duro. Foi, não, ainda é. Continuo a amá-lo e a não perceber porque era tão bom a prometer e tão inútil a fazer…
Tal como Mariana, entregamos muitos vezes o nosso poder pessoal nas mãos do outro. Arrastamos decisões na esperança de que as promessas se tornem realidade, e depois vemos os anos a passar e podemos ver o quanto nos enganámos, por escondermos de nós a verdade.
Uma relação saudável, não é um “conto-de-fadas”, mas sim, um “contos-de-factos”.
Os factos determinam com exactidão.
Já as promessas fazem-nos viajar num imaginário que até pode vir a ser maravilhoso, mas não é real, principalmente quando perdura anos.
São os actos que selam as promessas e não o contrário.
Fazer é uma coisa, dizer é outra.
Afinal, não nos sentimos beijados porque nos falam de beijos, nem amados porque nos falam de Amor. Não nos sentimos abraçados, porque nos falam de abraços, nem respeitados porque nos falam de respeito.
Falar só por si nada é, e nada realmente, capacita.
Já a acção contem em si palavras escondidas, que nada mais são que a voz de quem não mente.
Falar sem agir é como saciar a fome somente a olhar para o prato.
É desperdiçar a verdade que só a acção pode repor.
Sabe que mais?
Falar é querer.
Agir é SER.