Começo este post com um excerto de um poema, que alguns poderão conhecer.
“Quis saber quem sou, o que faço aqui,
quem me abandonou, de quem me esqueci,
perguntei por nós, quis saber de nós,
mas o mar não me traz tua voz (…)
E, depois do Amor e depois de nós,
O dizer adeus o ficarmos sós…
(José Niza)
Para mim, é interessante analisar a relação entre o “adeus”, o “saber quem sou”, e o “ficar-se só”.
Aprender a dizer adeus, pode ser uma aprendizagem tão sublime, como a sublimação e a resiliência que precisamos resgatar em nós, para aceitar um término de uma relação.
A “irreversibilidade” do adeus, pode despertar-nos memórias de perda, de abandono, de rejeição.
Depois do adeus, é preciso resignificar a nossa vida, criando não só novas memórias, como em simultâneo atravessar um processo de luto, que se impõe na grandiosa e assustadora possibilidade do…“ficarmos sós”.
Depois do adeus, o vazio habita-nos e podemos sentirmo-nos como um barco à deriva no meio de uma tempestade, que não sabemos quando irá terminar.
Desconectamo-nos da nossa bússola interna, orientamo-nos desorientados, sem saber como fazer, o que fazer, ficando muitas vezes apenas a sentir dor e desalento.
Como diz o poema, “depois do adeus”, precisamos “saber quem somos” e “o que fazemos aqui”. Quem “nos abandonou” (se for o caso), é a “peça” menos importante do grande puzzle, que é o convite que aquele adeus contem como oportunidade para a nossa vida e o nosso processo evolutivo.
Queremos entender pela mente, quando apenas precisamos aceitar.
Há “adeuses” difíceis, que acreditamos serem injustos e até profundamente ingratos.
Mas, quem sabe, na ordem maior que nos rege, quem sabe, não importa a “razão”, mas sim a “função”.
É que “depois do adeus”, o “ficarmos sós”, pode ser a única possibilidade de nos esculpirmos verdadeiramente, para assim nos poder ser revelada, a obra prima que somos, sem mais abusos, apegos ou dependências.