Nascemos condenados à liberdade, porém vivemos aprisionados pela sua possibilidade. Os nossos padrões, traumas e a forma como conseguimos gerir aquilo que nos acontece, trilha em nós caminhos internos, onde atados por fortes cordas, nos apertamos, enrolamos e criamos para nós o inferno diário de viver sem alegria, sem motivação e sem qualquer sentido para a vida.
Na verdade, quando nestas cordas nos sentimos enredados, o espaço interno que nos habita parece ficar comprometido e inexistente.
Tolhidos, deixamos de conseguir olhar ao nosso redor, observando com gratidão os pássaros que isentos de culpas continuam a chilrear, as flores que teimam em crescer, as marés que não desistem de mudar, e as nuvens que dançam, num pulsar constante de vida dentro e fora de nós!
Como seria então, aprendermos a não tropeçar nos nossos desconfortos e colarmo-nos aos mesmos? Como seria darmos-lhes o espaço a que têm direito, relembrando-nos que em simultâneo há partes vivas dentro de nós, que querem realmente viver?
Provavelmente tornaríamos a nossa existência mais leve, mais cristalina, mais verdadeira, pois apesar de existirem partes que podem estar estilhaçadas e doridas, mesmo existindo desafios nem sempre fáceis de gerir e de experienciar, a verdade é que tivemos de ter recursos para ter chegado até aqui.
São esses recursos que é preciso visitar, dando-lhes espaço também.
São esses recursos que no tempo exato, com a paciência necessária, irão contribuir para dissolver as cordas duras e bolorentas que nos aprisionam, mostrando-nos com clareza que é preciso auto compaixão, gratidão e gentileza, para deixarmos finalmente o céu entrar!