Com a minha experiência de vários anos, posso afirmar, que esta é uma questão que inevitavelmente surge, numa determinada fase do processo terapêutico.
A importância de validação de que se está no caminho “certo”, torna-se quase imperativa para continuar a caminhar.
Para mim, não há caminho “certo”, ou “errado”, pois tudo é caminho.
Só o trilhar do mesmo, nos pode trazer a certeza dos desvios necessários, das paragens obrigatórias, das mudanças de direcção repentinas, das incongruências e das habilidades que só o nosso trilho interno e a experiência, podem realmente indicar.
Mais do que “certo” ou “errado”, à medida que vamos caminhando podemos ir sentindo se estamos a caminhar na “nossa-trilha”, ou se nos limitamos a seguir trilhas, que de alguma forma, a alma que nos habita, começa a revelar não nos trazerem qualquer tipo de auto-realização e crescimento.
Como poderemos então saber se estamos no nosso caminho?
Em primeiro lugar, quando abandonamos a posição de nos trairmos a nós mesmos.
Quando não mais temos de negociar a nossa integridade e quando o nosso coração decide, não abrir mais espaços sujos para a toxicidade e o desamor.
Sabemos que estamos no nosso caminho, quando não precisamos mais mentir à verdade, ainda que a mesma seja estupidamente difícil de aceitar.
Sabemos que estamos no nosso caminho, quando sentimos em cada poro a integridade de sermos aquilo que verbalizamos, e a coragem de expressarmos aquilo que somos!
Quando, ainda que descalços, atravessamos socalcos de pedras e apesar dos nossos pés estarem feridos, conseguimos escutar os sussurros da nossa alma, dizendo “valeu a pena”.
Sabemos que estamos no nosso caminho, sempre que na solidão encontramos a solitude, e a certeza de que nunca estamos sós.
Quando acolhemos todas as nossas partes e tratamos as nossas feridas com paciência e compaixão.
Sabemos que estamos no nosso caminho, quando abrimos espaços internos de reflexão, nos apropriamos com dignidade das nossas aprendizagens e crescemos através delas.
Sempre que sabemos que nesta vida, existem várias vidas, e inevitavelmente inúmeras mortes também, estamos no nosso caminho.
Ousando tecer, através das nossas vivências, a nossa própria tapeçaria, o caminho abre-se para nós e, quando finalmente reconhecemos que todas as paragens tiveram o seu movimento, todas as dores as suas aprendizagens, todas as perdas os seus ganhos, sentimos que podemos finalmente honrar as nossas cicatrizes, sim, estamos no caminho, no nosso caminho!