Não consigo contabilizar as vezes que neste banco já me sentei.
Cada uma delas tem colada a si, uma história, das várias histórias que aqui vivi.
Cada uma delas, tem colada a si, um tempo, tantas vezes intemporal, e um espaço que continua a ter espaço dentro de mim.
Na verdade, não me assustam as memórias dos lugares.
Saboreio-as como se me apresentam. Umas vezes mais doces, mais nutridoras, mais alegres e expansivas, outras mais frias, secas, tristes e até ausentes de qualquer sentido.
Gosto da dignidade de me sentar, em bancos onde no passado já me sentei, com a presença plena do presente e da impermanência e ciclicidade da vida.
Conforta-me, sentir na epiderme o quanto sendo a mesma, hoje sou já outra.
Constato, que nem sempre que aqui me sentei, fui a minha melhor companhia.
Talvez por isso tenha permitido, que aquele lugar sagrado dentro e fora de mim, fosse tantas vezes profanado.
Há bancos que nos contam segredos, que quando desvendados nos deixam conhecer o céu, porque nos relembram que já conhecemos o inferno também.
É bem verdade, este banco é o mesmo, mas eu sou já outra!