O BANCO É O MESMO, EU É QUE NÃO!

Não consigo contabilizar as vezes que neste banco já me sentei.

Cada uma delas tem colada a si, uma história, das várias histórias que aqui vivi.

Cada uma delas, tem colada a si, um tempo, tantas vezes intemporal, e um espaço que continua a ter espaço dentro de mim.

Na verdade, não me assustam as memórias dos lugares.

Saboreio-as como se me apresentam. Umas vezes mais doces, mais nutridoras, mais alegres e expansivas, outras mais frias, secas, tristes e até ausentes de qualquer sentido.

Gosto da dignidade de me sentar, em bancos onde no passado já me sentei, com a presença plena do presente e da impermanência e ciclicidade da vida.

Conforta-me, sentir na epiderme o quanto sendo a mesma, hoje sou já outra.

Constato, que nem sempre que aqui me sentei, fui a minha melhor companhia.

Talvez por isso tenha permitido, que aquele lugar sagrado dentro e fora de mim, fosse tantas vezes profanado.

Há bancos que nos contam segredos, que quando desvendados nos deixam conhecer o céu, porque nos relembram que já conhecemos o inferno também.

É bem verdade, este banco é o mesmo, mas eu sou já outra!